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Diamante Sintético: O que é e o que muda no mercado e na sua forma de comprar.

Postado por Amanda De Nardi em

4 minutos de leitura. Texto de Carol Marinheiro.

 

É possível que você ainda não tenha ouvido falar do diamante sintético. (Apesar de existir há décadas na indústria, o assunto tem ganhado as manchetes recentemente.) Pra quem vende joias, pra quem compra ou pra quem é só curioso mesmo sobre o assunto, saber que há essa alternativa no mercado e o que ela significa, é ter liberdade pra navegar pelo universo da joalheria com consciência e o melhor, com sua própria opinião sobre o tema. 

Pra gente chegar nos diamantes sintéticos, vamos passar por três conceitos básicos: gemas naturais, artificiais e sintéticas. As gemas naturais são produtos extraídos diretamente da natureza. As gemas artificiais são feitas de elementos diferentes daqueles que se quer representar. Um bom exemplo são as zircônias cúbicas produzidas para “imitar” o diamante, mas criadas a partir do óxido de zircônio e não do carbono. Já as gemas sintéticas são aquelas feitas em laboratório, “clones” da gema natural, cópias feitas em um ambiente controlado. Já ouviu falar em esmeralda, safira ou rubi “lab” (de laboratório)? Elas entram aqui, na categoria sintética. 

E como a mágica acontece? Tudo começa com o carbono, elemento-base dos diamantes, que é submetido à uma alta temperatura e alta pressão, em uma câmara que reproduz as condições existentes na natureza. O processo cria partículas que se cristalizam, transformando-se em diamantes em 10 semanas. O resultado são gemas que possuem as mesmas características físicas e a mesma composição química das pedras extraídas de minas. Ou seja, o efeito ótico e físico é o mes-mo! É necessária a ajuda de máquinas para diferenciar uma pedra da outra, até entre especialistas.

Mas, se o diamante sintético não é exatamente assunto novo, por quê o burburinho do momento? O fenômeno tem nome e experiência no currículo: a De Beers com seus 130 anos de trajetória. A história da empresa se confunde com a própria história dos diamantes no mundo. Ela é hoje uma gigante da cadeia, da extração de pedras à venda de joias montadas. E quando ela muda sua postura sobre o tema, abandonando a política de não vender diamantes sintéticos para não só vender, mas investir intensamente na tecnologia de sua produção, o mercado inteiro para para pensar sobre o assunto.

O gesto da De Beers, anunciado no ano passado, veio acompanhado de uma virada estratégica: o aumento da diferença dos valores entre uma gema natural e sintética. Ou seja, o diamante sintético que era cerca de 29% mais barato em janeiro de 2019, passou a ser 42% mais barato agora em novembro. O efeito segue em cascata. Ou seja, ao abraçar a produção sintética, a De Beers legitima a categoria de produção dessas gemas chamando a atenção pra elas em todo o mundo. Ao mesmo tempo, se coloca nesse mercado oferecendo gemas sintéticas de alta tecnologia a um valor muito mais competitivo, passando a ocupar a posição de um player qualificado também nessa frente de atuação. E, por fim, ao forçar a diferença de preço entre uma gema natural e uma sintética consegue o efeito inverso também: manter a valorização do diamante natural. Brilhante, não?

Mas e aí, o que a gente faz? Qual pedra escolher? Não tem certo nem errado, na minha opinião. Desde que o setor seja claro ao vender diamantes sintéticos, dizendo exatamente para o consumidor o que ele está levando, vejo uma possibilidade rica para a joalheria (econômica e criativa!).

Para o consumidor, mais opções. Você prefere o encantamento de usar uma gema produzida pela natureza? Ou está satisfeito em contar com o mesmo efeito, mas vindo de uma gema feita pelo homem? Ou, por que não, aderir às duas modalidades, escolhendo uma ou outra opção conforme a grana disponível ou, quem sabe, a ocasião de uso da joia?

Fato: as gemas sintéticas ganharão o mundo e serão cada vez mais acessíveis na medida em que o custo de produção for diminuindo. Mais acesso significa também que não serão mais tão raras quanto as pedras naturais. (Como a escassez é um dos fatores que definem se uma gema é ou não preciosa, os diamantes sintéticos não serão tão valiosos quanto os outros.) Por outro lado, entregam beleza, durabilidade e sustentabilidade (são pedras “livres de conflito” – já parou para pensar como as áreas de extração de diamantes, além de produzirem impacto no meio ambiente, historicamente provocaram conflitos sociais e políticos?), por isso terão seu espaço no mercado. Mesmo atualmente ocupando parte pequena nas vendas em comparação aos diamantes naturais, os sintéticos já encontram preferência junto aos consumidores mais novos que buscam qualidade, melhores preços e produção “limpa” e responsável.

O importante é entender o que está a sua frente. E, seja qual for sua escolha, saber qual a história que você vai contar sobre o diamante que te acompanha.

 


 

Carol Marinheiro é publicitária, estudiosa do setor e produtora de conteúdo de joias por puro impulso de compartilhar sua paixão. 

Instagram: @carolmarinheiro

    

 

 

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