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Porquê eu acredito nos diamantes de laboratório

Postado por Amanda De Nardi em

3 minutos de leitura. Texto de Amanda De Nardi.
 

Antes de qualquer coisa, é importante esclarecer a dúvida mais frequente com relação aos diamantes labgrown: a única diferença significante entre um diamante natural e um feito em laboratório é a sua origem. Enquanto um se formou ao longo de milhões de anos pela natureza, o outro cresce num laboratório ao longo de algumas semanas.

Não raro, até mesmo o mais experiente geólogo não sabe diferenciar um diamante sintético de um natural sem o auxílio de testes avançados. Isto porque os diamantes feitos em laboratórios são, de fato, diamantes. Ou seja, eles têm as mesmas propriedades físicas e ópticas, a mesma composição química e a mesma estrutura de cristalização.

De alguns anos pra cá, houve uma série de inverdades propagadas pela indústria do diamante natural para criar dúvida e receio a respeito dos diamantes sintéticos. Mas a verdade é que seus benefícios são inúmeros, e sua proposta está de diversas formas alinhada com as novas diretrizes do mundo contemporâneo, de como estamos construindo o futuro do consumo.

Pra demonstrar isso, listo aqui algumas características dos diamantes labgrown que me fazem acreditar tanto neles para o futuro da indústria da moda e joalheria:

Qualidade e beleza superiores

É sabido que quanto mais puro for o diamante, mais claro e mais ‘branco’ ele será. Neste quesito, os diamantes de laboratório levam uma vantagem por que costumam ter menos impurezas e menos "defeitos" (uso esta palavra aqui com fins didáticos, mas características seria a palavra ideal). Isso faz dele uma gema frequentemente mais clara, mais reluzente e viva do que a maior parte dos diamantes minerados.

Plano B

Diamantes são para sempre, mas a mineração de diamantes não. De acordo com relatórios oficiais da De Beers e outras mineradoras importantes, o homem já extraiu 6 bilhões de quilates de diamantes da Terra, e estima-se que apenas 1,2 bilhões de quilates de diamantes de mineração possível ainda estão disponíveis no solo terrestre. Diante disso, podemos apenas concluir que uma fonte alternativa é necessária e muito bem-vinda, se quisermos continuar produzindo joias com o brilho singular dos diamantes.

Menor impacto

A mineração de diamantes requer diesel e dinamites, enquanto o desenvolvimento de diamantes em laboratório exige carbono e eletricidade. O carbono é abundante e a eletricidade já está disponível em diversas fontes renováveis. Já o diesel, você conhece a história.

Outro ponto relevante é que demanda-se muito pouca água para produzir diamantes em laboratório: apenas os sistemas de refrigeramento precisam de água, que pode ser reutilizada por anos. O espaço físico de produção também é um fator importante: um laboratório de diamantes sintéticos pode ser montado em 10 metros quadrados, e com isso produzir uma quantidade ilimitada de gemas, em contraste com quilômetros necessários para a mineração que também tem um limite de extração.

Além disso, todos os sistemas de mineração de diamantes utilizados na indústria de alguma forma impactam ecossistema local, o que acaba por impactar a a vida selvagem da região minerada. Em contraste, na produção feita em laboratório há pouco ou quase nada de custo para ecossistemas, vida selvagem ou comunidades.

Custo

A produção escalável de um bem implica na possibilidade de redução de custos e, por consequência, de preço. Ou seja, à medida que a demanda por estas gemas crescerem no mercado, a produção agilmente aumentará em resposta. Mais oferta, preços menores. Isto significa que um público muito maior pode ter acesso àquele clássico anel solitário de noivado. E, por ser eterno, ainda pode ser uma joia que permanece numa família por gerações. 

Alternativa

É importante, no entanto, entender que os diamantes de laboratório nunca tomarão o lugar de uma gema natural. A tendência é que eles ocupem espaços diferentes no mercado e na percepção das pessoas. A brincadeira é estar aberto ao novo e às possibilidades que ele traz.

  

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    Amanda De Nardi é designer, ourives e empreendedora da marca de joias que leva seu nome.

 

 

 

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