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A história da Turmalina Paraíba

Postado por Amanda De Nardi em

3 minutos de leitura. Texto de Ana Cecília Artiaga.

As Turmalinas são agrupadas e designadas de acordo com sua coloração, já são o grupo de gemas com maior riqueza de cores.
Dravita é o nome dado aos exemplares acastanhados, Rubelitas  são gemas rosadas ou vermelhas, Indicolitas (fazendo referência ao índigo) se referem às pedras azuis escuras, as Acroítas são incolores, as negras são chamadas de Schorlita, as tradicionais Verdeítas abrangem todas as tonalidades de verdes, e ainda, existem as Bicolores, cujo o exemplar mais famoso é a Turmalina Melancia.

Há aproximadamente 33 anos atrás, uma nova categoria foi inserida neste conjunto. A primeira Turmalina Paraíba foi descoberta em 1981, a sete metros de profundidade, na Mina de São José da Batalha, nas colinas do estado brasileiro da Paraíba, por Heitor Dimas Barbosa, proprietário do terreno onde fica a jazida.

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Secção de um “canudo” de Turmalina Paraíba  

A gema era tão bonita e insólita, que os primeiros comerciantes que a viram, acharam que era sintética, e até mesmo uma fraude. Heitor enviou amostras do mineral ao Gemological Institut of America, nos Estados Unidos, que comprovou que a amostra era realmente uma Turmalina com cobre, manganês e ferro em sua composição. E é justamente por ser cuprífera, que possui um azul tão especial, elétrico e brilhante, que parece emitir luz.

Os cientistas descobriram que estes elementos também atribuem à Turmalina Paraíba uma grande gama de tons, que vão do verde esmeralda ao turquesa, ou do azul celeste, passando pelo índigo, pela safira, pelo violeta-azulada chegando até o neon. A fluorescência é uma característica peculiar desta pedra, que quando é devidamente aquecida e lapidada, tem a capacidade de brilhar em ambientes escuros.

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Em fevereiro de 1990, ainda na tradicional Feira de Tucson, após a apresentação do laudo do GIA, teve início a escalada de preços, que passaram de umas poucas centenas de dólares por quilate, para mais de US$2.000/ct, em questão de apenas 4 dias.  

A mística em torno desta pedra havia apenas começado e cresceu extraordinariamente na década de 90, convertendo-a em uma das mais valiosas variedades entre as pedras preciosas. Se você pensa que o diamante é a pedra mais cara, errou. A Turmalina Paraíba é invariavelmente mais rara do que eles, e consequentemente seu valor é muito mais elevado. 

Além do seu brilho único azul fosforescente, a dificuldade de sua extração, feita manualmente em túneis de até sessenta metros de profundidade, e sua escassez, são algumas das razões que tornam o seu valor comercial cada vez maior, tornando-a uma das gemas mais cobiçadas do mundo. 

Para alcançar tons mais limpos e mais exclusivos, adota-se um tratamento para melhorar ainda mais a sua cor. Embora suas surpreendentes cores ocorram naturalmente, estima-se que aproximadamente 80% das gemas só as adquiram após tratamento térmico, à temperaturas entre 350°C e 550°C. Após o resfriamento, parte delas é submetida ao preenchimento de fissuras com óleo.

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A máxima produção da Mina da Batalha ocorreu entre os anos de 1989 e 1991 e, a partir de 1992, passou a ser esporádica e limitada, agravada pela disputa por sua propriedade legal e por seus direitos minerários. Hoje em dia, pode custar cerca de US$ 30.000/ct no mercado japonês. Porém, dependendo de sua exclusividade, pode chegar a custar cerca de US$ 100.000/ct.

Nos anos 1990, foram achadas outras duas minas na mesma região, mas, desta vez, do outro lado da divisa, no Rio Grande do Norte. Outras foram encontradas na Nigéria e em Moçambique. Do Brasil saem os exemplares mais valiosos, pois são facilmente distinguíveis pelos teores de cobre anômalos. Essa diferenciação só é feita através de estudos químicos.

 

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Brincos de Turmalina Paraíba e Diamantes. Design: Sauer.

 

Depois de descobertas na África, houve muita polêmica e discussão entre laboratórios do mundo todo, para decidir se as Turmalinas Africanas também poderiam ser identificadas pelo nome Paraíba. Os gemólogos estavam propensos a chama-la de “Elbaíta Cuprífera”. Mas em 2006, foi decidido que todas deveriam ser chamadas de Turmalinas Paraíba, mas caso não fossem oriundas das minas brasileiras, deveria ser incluso em seu certificado a observação “Like Paraíba”.

Hoje em dia, menos de 2% dos exemplares a venda no mercado são provenientes do Brasil. Os 98% restantes são provenientes de Moçambique. Infelizmente, é um fato, elas estão em extinção.

Para quem ainda não tem uma Turmalina Paraíba para chamar de sua, existe uma alternativa chamada Apatita. É uma gema que pertence a outro grupo, com um azul neon bem similar ao da Paraíba, e seus preços são mais módicos. Mas em contrapartida, por ter uma baixa dureza, pode ser disfuncional para determinados projetos. Vale o custo/benefício? Te interessou? Conversaremos mais sobre a Apatita em um próximo post. Até breve!

 

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 Ana Cecília Artiaga é designer de produto especializada em joalheria e marketing. Ministra cursos de design de joias e desenvolve coleções exclusivas para indústrias joalheiras.

Instagram: @anaceciliaartiaga

 

 

 

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